30/04/2019

Saiba como é realizado o transporte de pás eólicas

Operação requer planejamento especial

O conjunto de pás eólicas faz parte da tríade dos componentes básicos que formam o aerogerador. Conectadas à nacele e sustentadas pela torre de concreto, as pás eólicas possuem perfil aerodinâmico, pesam cerca de 17 toneladas cada e chegam a ter mais de 60 metros de comprimento, equivalente a um edifício de 20 andares.

No Complexo Eólico Lagoa do Barro, o mais recente empreendimento implementado no Piauí pela Atlantic Energias Renováveis, foram instaladas 195 pás, com 62 metros de extensão cada, transportadas individualmente por carretas que saíram das fábricas localizadas nos estados do Ceará e Bahia.

Devido a dimensão e peso especiais dessas pás, seu transporte se torna um desafio logístico e rodoviário, que requer planejamento e infraestrutura que estejam de acordo com a legislação de órgãos responsáveis pelas vias nas quais as cargas transitam. Para se ter uma ideia, o conjunto de transporte é composto por Cavalo Mecânico 6×2, com carreta direcional de três eixos e controle traseiro de direção. São 68 metros de extensão e aproximadamente 45 toneladas.

A empresa responsável pelo fornecimento e transporte das pás, nestes casos,  precisa de uma Autorização Especial de Trânsito (AET). Para transitar em rodovias estaduais, a permissão é emitida pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), e para rodovias federais, quem emite é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que pode concedê-las com restrições de horário e velocidade máxima limitada. O DNIT também determina a necessidade de escoltas, bem como a presença da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Além disso, o fabricante do aerogerador contrata um estudo de viabilidade geométrica (road survey) no qual especifica características de todas as vias que serão percorridas pelas carretas, desde a fábrica de pás até a entrada do parque eólico.

Na pesquisa, a empresa contratada reporta necessidades de adequações nas obras de artes especiais, vias de acessos e instalações elétricas. Opcionalmente pode ser feita uma simulação do transporte com uma carreta vazia e uma corda que representa a ponta da pá. A medida é necessária para identificar obstáculos e corrigi-los antes do transporte real das pás.

Durante o percurso efetivo das pás, cada carreta recebe apoio de duas escoltas, conhecidas como batedores frontais e traseiros. A função dos batedores é liberar o trânsito da via para a passagem das carretas e impedir que outros veículos as ultrapassem em pistas simples.  

A comunicação também é fator crucial no escopo de planejamento voltado para esse tipo de transporte especial. Em Lagoa do Barro do Piauí, por exemplo, a Atlantic distribuiu cerca de um mil panfletos em comunidades próximas às margens das vias de acesso ao Complexo Eólico Lagoa do Barro para informar como funcionaria o transporte das pás. Moradores de Lua Nova (Pipocas), Poço de Umburana, Mimoso e outras localidades receberam informações tanto por comunicado impresso como por meio do programa de rádio Ao Som do Vento.

Na época, a equipe de engenharia da Atlantic também realizou uma reunião com a Comissão de Acompanhamento do Empreendimento (CAE), formada por representantes das comunidades de Lagoa do Barro, para esclarecer todos os pontos relativos ao transporte dos componentes.

Com eficiência na logística, comunicação com as comunidades e, principalmente, segurança, a operação de transporte das pás para Lagoa do Barro do Piauí foi um sucesso. Nesta operação, não houve nenhuma notificação de acidentes. E, agora, bons ventos sopram com força as pás eólicas dos aerogeradores da Atlantic.