09/05/2019

Como funciona a linha de transmissão?

Transporte leva energia para os brasileiros

A energia percorre um longo caminho até iluminar as residências, comércios, indústrias, hospitais, entre outros. Ela passa pelas linhas de transmissão até alcançar seu destino final, que são responsáveis por transmitir energia eletromagnética. Seus componentes principais são as torres, os isoladores e as subestações.

Nos complexos eólicos, as linhas de transmissão permitem o escoamento da energia elétrica gerada pelos aerogeradores até uma subestação do Sistema Interligado Nacional – SIN. Essa tecnologia é projetada em diversos níveis de tensão. No Brasil, os mais comuns são: 69, 138, 230, 500 e 525 KV (quilovolts).

Os cabos condutores transmitem a energia elétrica gerada. São compostos por alumínio nu, de um a quatro condutores por fase. Estes, são presos em estruturas metálicas (torres) por meio de cadeias de ancoragem ou de suspensão, com isoladores poliméricos ou de vidro.

Também há um sistema de amortecimento nos cabos condutores, que contém amortecedores e espaçadores, para evitar o risco de contato entre cabos, além de evitar a vibração dos cabos por conta da influência do vento.

As estruturas metálicas devem ser dimensionadas para eventos de alta velocidade, característica dos locais de implantação dos parques eólicos. São projetadas em dois tipos construtivos: estruturas de suspensão estaiadas para estruturas sem ângulo, e estruturas de ancoragem autoportantes para estruturas que são submetidas a um maior esforço.

Estruturas de suspensão estaiadas são fixas no solo com seu mastro central e auxílio de quatro estais. Por outro lado, as estruturas de ancoragem autoportantes são presas ao solo por meio de quatro pés, sem o apoio de estais.

A linha de transmissão realiza a comunicação de dados entre a subestação do parque eólico e subestação do Sistema Interligado Nacional – SIN. Essa emissão acontece por meio de um cabo tipo OPGW – Optical Ground Wire – , instalado acima do nível dos cabos condutores, que são para-raios para proteção contra descargas atmosféricas envolvendo um núcleo de fibra ótica.

No cabo OPGW, são instaladas esferas de sinalização alaranjadas, em travessias de linhas de transmissão, lagos e rodovias. Tais esferas sinalizam aeronaves para alertar os pilotos da presença de cabos aéreos energizados.

Maior linha de transmissão da Atlantic

Os números da linha de transmissão do Complexo Lagoa do Barro* resumem a grandiosidade dessa construção. Por meio de uma extensão de 88 quilômetros e nível de tensão de 230 KV, cerca de 400 mil residências são abastecidas. Para isso, a linha atravessa três municípios: Lagoa do Barro do Piauí, Capitão Gervásio de Oliveira e São João do Piauí.

Foram utilizadas 202 estruturas metálicas, com total de 1173 toneladas de aço, 544 quilômetros de cabo condutor, 91 quilômetros de cabo OPGW e 196 isoladores poliméricos em sua construção. Algumas estruturas chegam a ter 44 metros de altura.

A implantação foi desafiadora devido ao intenso período de chuvas de verão, topografia acidentada do local e a logística complexa de chegada dos principais insumos. Ainda assim, a conclusão da obra foi realizada em tempo recorde de onze meses, dividida entre duas empreiteiras que trabalharam ao mesmo tempo, levando sempre em conta as condicionantes ambientais e a preservação do patrimônio arqueológico da região.